Grande jogo hoje entre Uruguai e Alemanha.
Acho estranho quem prefira assistir a partidas entre seleções menos talentosas na primeira fase, a ver um duelo entre duas das melhores equipes do presente torneio, temendo uma suposta melancolia daqueles que têm a certeza de que não mais conquistarão o título.
Uma derrota alemã poderia "melar" o discurso que valorizava o que o trabalho de Joachim Löw trouxe de melhor para a Copa. A possibilidade de que um time mesmo desprovido da sua melhor geração de jogadores é capaz de agradar, encantar e alcançar um resultado que supere até suas próprias expectativas.
Embora muitos torcessem por uma vitória uruguaia, por um estranho pan-americanismo que parece existir só em momentos em que a seleção brasileira já se despediu do torneio, o triunfo alemão pode imprimir um recado mais interessante para os técnicos que aqui trabalham (em clubes, sem querer alfinetar o Dunga). Um suspiro de esquema tático mais insinuante, menos covarde e preso a um pragmatismo normalmente associado à escola alemã. Fez 3 ou mais gols na maioria dos jogos que disputou, e embora tenha sido engolida pela Espanha nas semifinais, sai da competição tendo do que se orgulhar.
Jogadores uruguaios como Diego Forlán presenteram a Copa com lances de pura técnica, que associada a sua garra e de seus companheiros, levaram o Uruguai a melhor campanha entre as equipes do Hemisfério Sul. No entanto, permanecem resquícios da mentalidade que vigora em competições interclubes sul-americanas. Muitos volantes, jogadores que "chegam-junto" e tentam intimidar, e pouca inteligência no meio-de-campo. Essa não foi necessariamente a cara do Uruguai nesta Copa, mas não é o momento apropriado para valorizar o brasão guerreiro, que muitas equipes (incluindo clubes, claro) tentam carregar.
É interressante observar que embora a Copa do Mundo não dite fatalmente as tendências do futebol mundial, ela é deturpada para que algumas de suas piores lições tenham efeito aqui no Brasil.
Por isso é sempre perigoso que nossos clubes aproveitem de distorções futebolísticas para impregnar pragas como "quatro volantes", que azedam os olhos de quem tenta acompanhá-los.
Aproveito este texto para alertar aqueles que tiveram a impressão de que esta foi uma competição violenta ou mau-arbitrada. Assista às próximas rodadas do brasileirão para vislumbrar verdadeiros seminários sobre o "cai-cai" a as chamadas "faltas táticas".
Uma das finalidades da Copa do Mundo deveria ser despertar e posteriormente sustentar o interesse pelo futebol. Nacionalmente falando não parece ser uma preocupação da FIFA.
E dificilmente da CBF, que estará mais preocupada em construir estádios e vender para o exterior os jogos da geração Shaktar Donetsk (depois eu explico) que vestirá a amarelinha nos próximos anos.
sábado, 10 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Dilemas na escolha do novo treinador
A CBF já anunciou a saída de Dunga, abrindo caminho para imediatas especulações sobre o futuro treinador da seleção brasileira de futebol. Embora tenha gozado de aprovação popular no episódio em que pareceu abrir guerra contra a Rede Globo (ainda apoiado por resultados positivos em campo), a passagem do capitão do tetra no comando da seleção se caracterizou pela relação tumultuada com a imprensa brasileira, assim como por um descrédito inicial de sua escolha, devido à sua falta de experiência na profissão de treinador.
Os principais nomes que surgem na pauta são os de Luiz Felipe Scolari, Mano Menezes e Muricy Ramalho. Todos de competência comprovada, e gabaritados para assumirem o cargo. Mas assim como a escolha de Dunga foi baseada no que supostamente havia faltado a Carlos Alberto Parreira em 2006 (imposição de disciplina, comprometimento e “amor à camisa”), não se deve pensar em uma substituição que não tenha em mente os diversos aspectos que envolvem a preparação para o próximo ciclo até 2014 (fala-se em até 2016).
Trazer um ex-campeão do mundo parece sempre um resgate natural de uma conquista anterior. As campanhas vitoriosas do Brasil em 1994 e 2002 foram marcadas pelo forte atrito com a imprensa e opinião pública. Isso parece ter feito acreditar que o confronto e a discordância são ingredientes principais para um êxito em Copas do Mundo. Ficou claro que a volta destes ex-campeões (Zagallo, Parreira, Dunga e Jorginho) acaba sendo marcada pela intransigência e a postura “eu estava certo, vocês estavam errado”, que caracterizou algumas das últimas gestões técnicas da seleção brasileira.
Felipão já voltaria como intocável, tendo tranqüilidade para trabalhar, o que experiências anteriores podem sugerir que não é necessariamente positivo. Nada garante que ele não voltaria a ter os mesmos resultados que o colocaram em uma posição de desconfiança no início de seu trabalho. Desconfiança justificável, e que só foi esquecida devido ao título conquistado. Quer dizer, ele voltaria jogando por um único resultado, ser mais uma vez campeão do mundo.
Sem querer parecer que ser campeão do mundo é pouco, mas as avaliações sobre a atuação da seleção brasileira em Copas do Mundo sugerem que até times vitoriosos não deixam um legado incontestável para a instituição chamada “Futebol Brasileiro”.
Mano Menezes se caracterizou pelos trabalhos sólidos e de longo prazo, vide suas passagens em clubes como Grêmio e Corinthians. Neste último, agradou por implantar um esquema insinuante e ao mesmo tempo eficiente no primeiro semestre de 2009, conquistando Copa do Brasil e Campeonato Paulista. Algo que teoricamente seria fácil de implantar com o universo de jogadores brasileiros qualificados espalhados pelo mundo.
Mas seria o nome certo considerando que a segunda maior torcida do Brasil queria sua demissão após a precoce eliminação na Taça Libertadores deste ano? Seria ele o treinador que resistiria a trocar um “sistema insinuante” na primeira seqüência de resultados negativos?
Os técnicos que trabalham há muito tempo no futebol brasileiro instituíram a “maldição dos quatro volantes” para qualquer momento de insegurança da equipe dentro de uma competição. Se o torcedor no Brasil dificilmente aceita dois destes...
Muricy Ramalho ficou conhecido como o “Mr.Pontos Corridos” devido ao tricampeonato brasileiro conquistado no São Paulo. Ao mesmo tempo, sempre foi contestado por sua relação turbulenta e descomedida (um eufemismo para grosseria) com a imprensa (assim como Dunga), e por treinar times que não primavam por um futebol alegre e vistoso. Resultados naturalmente apareceriam, mas dificilmente o atual técnico do Fluminense resgataria um modelo que muitos procuram há algum tempo, o do tal “futebol-arte”.
Outras opções como Leonardo e Ricardo Gomes seriam positivas em relação ao tratamento com a imprensa. Suas entrevistas fogem do "revanchismo" e mau-humor comuns a outros treinadores.
Cabe ao técnico escolhido não embarcar na de "somos nós (ele e os jogadores) contra o resto do mundo", já que esta postura parece incluir também a torcida que supostamente o apóia. Uma relação mais cordial com a imprensa tornaria o "produto seleção brasileira" algo mais agradável, independente de seus resultados.
Resultados o Brasil sempre coleciona, antes e depois da Copa do Mundo. Mas resta sanar porque isso "explicavelmente" é algo que não satisfaz mídia e torcedores. Na escolha do novo técnico, deve se optar pelo melhor resgate.
Os principais nomes que surgem na pauta são os de Luiz Felipe Scolari, Mano Menezes e Muricy Ramalho. Todos de competência comprovada, e gabaritados para assumirem o cargo. Mas assim como a escolha de Dunga foi baseada no que supostamente havia faltado a Carlos Alberto Parreira em 2006 (imposição de disciplina, comprometimento e “amor à camisa”), não se deve pensar em uma substituição que não tenha em mente os diversos aspectos que envolvem a preparação para o próximo ciclo até 2014 (fala-se em até 2016).
Trazer um ex-campeão do mundo parece sempre um resgate natural de uma conquista anterior. As campanhas vitoriosas do Brasil em 1994 e 2002 foram marcadas pelo forte atrito com a imprensa e opinião pública. Isso parece ter feito acreditar que o confronto e a discordância são ingredientes principais para um êxito em Copas do Mundo. Ficou claro que a volta destes ex-campeões (Zagallo, Parreira, Dunga e Jorginho) acaba sendo marcada pela intransigência e a postura “eu estava certo, vocês estavam errado”, que caracterizou algumas das últimas gestões técnicas da seleção brasileira.
Felipão já voltaria como intocável, tendo tranqüilidade para trabalhar, o que experiências anteriores podem sugerir que não é necessariamente positivo. Nada garante que ele não voltaria a ter os mesmos resultados que o colocaram em uma posição de desconfiança no início de seu trabalho. Desconfiança justificável, e que só foi esquecida devido ao título conquistado. Quer dizer, ele voltaria jogando por um único resultado, ser mais uma vez campeão do mundo.
Sem querer parecer que ser campeão do mundo é pouco, mas as avaliações sobre a atuação da seleção brasileira em Copas do Mundo sugerem que até times vitoriosos não deixam um legado incontestável para a instituição chamada “Futebol Brasileiro”.
Mano Menezes se caracterizou pelos trabalhos sólidos e de longo prazo, vide suas passagens em clubes como Grêmio e Corinthians. Neste último, agradou por implantar um esquema insinuante e ao mesmo tempo eficiente no primeiro semestre de 2009, conquistando Copa do Brasil e Campeonato Paulista. Algo que teoricamente seria fácil de implantar com o universo de jogadores brasileiros qualificados espalhados pelo mundo.
Mas seria o nome certo considerando que a segunda maior torcida do Brasil queria sua demissão após a precoce eliminação na Taça Libertadores deste ano? Seria ele o treinador que resistiria a trocar um “sistema insinuante” na primeira seqüência de resultados negativos?
Os técnicos que trabalham há muito tempo no futebol brasileiro instituíram a “maldição dos quatro volantes” para qualquer momento de insegurança da equipe dentro de uma competição. Se o torcedor no Brasil dificilmente aceita dois destes...
Muricy Ramalho ficou conhecido como o “Mr.Pontos Corridos” devido ao tricampeonato brasileiro conquistado no São Paulo. Ao mesmo tempo, sempre foi contestado por sua relação turbulenta e descomedida (um eufemismo para grosseria) com a imprensa (assim como Dunga), e por treinar times que não primavam por um futebol alegre e vistoso. Resultados naturalmente apareceriam, mas dificilmente o atual técnico do Fluminense resgataria um modelo que muitos procuram há algum tempo, o do tal “futebol-arte”.
Outras opções como Leonardo e Ricardo Gomes seriam positivas em relação ao tratamento com a imprensa. Suas entrevistas fogem do "revanchismo" e mau-humor comuns a outros treinadores.
Cabe ao técnico escolhido não embarcar na de "somos nós (ele e os jogadores) contra o resto do mundo", já que esta postura parece incluir também a torcida que supostamente o apóia. Uma relação mais cordial com a imprensa tornaria o "produto seleção brasileira" algo mais agradável, independente de seus resultados.
Resultados o Brasil sempre coleciona, antes e depois da Copa do Mundo. Mas resta sanar porque isso "explicavelmente" é algo que não satisfaz mídia e torcedores. Na escolha do novo técnico, deve se optar pelo melhor resgate.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Desvendando Brasil x Holanda
Brasil e Holanda se enfrentam novamente em um jogo decisivo de Copa do Mundo. Superstições e associações com duelos em outras edições do torneio começam a aparecer para ajudar no prognóstico do que promete ser o maior desafio da seleção brasileira até agora.
O jogo: As duas equipes entram nas quartas-de-final com boas campanhas, sem grandes sustos. Não foram sorteadas em grupos fáceis, sendo relativamente exigidas nas quatro primeiras partidas. Mas não tanto quanto agora. A possibilidade de enfrentar um adversário de menor calibre nas semifinais (Uruguai ou Gana) confere um caráter de “bilhete antecipado” para a final da Copa ao vencedor deste duelo.
Brasil: A seleção pode até fazer uma grande partida nesta sexta-feira. Mas alguns fatos sugerem o contrário. As ausências de Elano e Ramires têm mais peso do que parece. Quando atuam, participam de boa parte dos gols do time de Dunga. Daniel Alves ainda é lembrado pelo gol contra a África do Sul na Copa das Confederações, que lhe rendeu grande fôlego perante os olhos da crítica e dos torcedores brasileiros. Porém, nesta Copa é possível observar que embora ofereça dinamismo e qualidade técnica ao meio-de-campo, Daniel não é tão eficiente quanto estes jogadores ausentes. A entrada de Josué pode reconstruir um time deficitário (vide vários 0x0 em parte das Eliminatórias) em furar a defesa do adversário devido à falta de poderio ofensivo de seus meio-campistas.
No entanto, os pontos positivos da seleção podem prevalecer neste confronto. Luis Fabiano não participa tanto do jogo, mas raramente desperdiça suas oportunidades (que sempre aparecem quando o Brasil não enfrentou retrancas como as de Coreia do Norte e Portugal). Embora em má forma física, Kaká (que é constantemente associado apenas as suas arrancadas) ainda é capaz de desequilibrar em passes precisos que poucos dos jogadores em campo poderão oferecer. Robinho, com sua habilidade não tão explorada até aqui, é a principal esperança em furar um possível mas improvável cadeado defensivo armado pelo técnico holandês.
A defesa brasileira pode não apenas proporcionar mais uma atuação segura, como ser mais um elemento ofensivo: nas jogadas de bola parada (agora, contra uma defesa mais alta), nas avançadas de Maicon (que terão que serem contidas por um envelhecido Van Bronckhorst), e nos “tirambaços” esporádicos do pouco-falado Michel Bastos.
Holanda: Embora tente respeitar a tradição ofensiva e pautada no futebol vistoso e “de espetáculo”, a seleção holandesa até agora não conseguiu corresponder ao que parece estar escrito em seu estatuto. Usa alguns (nem tantos, já que volantes e laterais não apoiam com tanta qualidade) jogadores técnicos, mas que parecem longe de seus melhores momentos (Van Persie, por exemplo).
Porém, estes mesmos jogadores conduziram a Holanda a uma das melhores campanhas da competição até agora. A atuação de Robben contra a Eslováquia (fora da condição física ideal) é algo a causar grande preocupação na defesa brasileira. Finaliza rapidamente e com rara precisão. É difícil contê-lo, por ter um excelente drible curto com a perna contrária ao marcador (é canhoto e joga na direita). Será alvo de algumas das faltas “nervosinhas” comuns na seleção de Dunga nesta competição, oferecendo aos holandeses um perigoso artifício de bola parada.
Robben terá com quem dialogar. Sneijder foi um dos melhores meias-armadores da temporada europeia. É perigoso em chutes de longa distância, cobranças de falta, e assim como Kaká, pode dar “aquele passe” que ninguém espera. Van Persie pode voltar a jogar bem. Embora não seja um grande goleador, por muitas vezes atuar até como ponta no Arsenal, Persie é técnico e ágil o suficiente para aproveitar uma das “caneladas” que a defesa brasileira vem oferecendo na Copa do Mundo, e que muitos se recusam a perceber.
Pode parecer lugar-comum, mas a defesa da Holanda não é confiável. Tomou dois gols de pênalti até agora. Estes, poderiam ser evitados se os defensores não insistissem tanto em cometer falhas como indecisão na cobertura, “linha-burra” e falta de velocidade. É o ponto fraco de um time perigoso, e que ainda não atingiu todo o seu potencial.
Prognóstico: Tecnicamente as duas seleções se equivalem. No entanto, é difícil imaginar a seleção brasileira sendo eliminada por um time que talvez não tenha tantas razões para se sentir confiante. Tem sempre bons jogadores, mas que costumam limitar a participação de sua equipe ao “morrer” nos mata-matas. O Brasil sairá vencedor por “algo como 2x1” (um de Luis Fabiano e outro de Robinho) aproveitando-se de deslizes defensivos do adversário, e segurando a pressão de um time atordoado, por boa parte do jogo.
É apenas um “feeling”.
O jogo: As duas equipes entram nas quartas-de-final com boas campanhas, sem grandes sustos. Não foram sorteadas em grupos fáceis, sendo relativamente exigidas nas quatro primeiras partidas. Mas não tanto quanto agora. A possibilidade de enfrentar um adversário de menor calibre nas semifinais (Uruguai ou Gana) confere um caráter de “bilhete antecipado” para a final da Copa ao vencedor deste duelo.
Brasil: A seleção pode até fazer uma grande partida nesta sexta-feira. Mas alguns fatos sugerem o contrário. As ausências de Elano e Ramires têm mais peso do que parece. Quando atuam, participam de boa parte dos gols do time de Dunga. Daniel Alves ainda é lembrado pelo gol contra a África do Sul na Copa das Confederações, que lhe rendeu grande fôlego perante os olhos da crítica e dos torcedores brasileiros. Porém, nesta Copa é possível observar que embora ofereça dinamismo e qualidade técnica ao meio-de-campo, Daniel não é tão eficiente quanto estes jogadores ausentes. A entrada de Josué pode reconstruir um time deficitário (vide vários 0x0 em parte das Eliminatórias) em furar a defesa do adversário devido à falta de poderio ofensivo de seus meio-campistas.
No entanto, os pontos positivos da seleção podem prevalecer neste confronto. Luis Fabiano não participa tanto do jogo, mas raramente desperdiça suas oportunidades (que sempre aparecem quando o Brasil não enfrentou retrancas como as de Coreia do Norte e Portugal). Embora em má forma física, Kaká (que é constantemente associado apenas as suas arrancadas) ainda é capaz de desequilibrar em passes precisos que poucos dos jogadores em campo poderão oferecer. Robinho, com sua habilidade não tão explorada até aqui, é a principal esperança em furar um possível mas improvável cadeado defensivo armado pelo técnico holandês.
A defesa brasileira pode não apenas proporcionar mais uma atuação segura, como ser mais um elemento ofensivo: nas jogadas de bola parada (agora, contra uma defesa mais alta), nas avançadas de Maicon (que terão que serem contidas por um envelhecido Van Bronckhorst), e nos “tirambaços” esporádicos do pouco-falado Michel Bastos.
Holanda: Embora tente respeitar a tradição ofensiva e pautada no futebol vistoso e “de espetáculo”, a seleção holandesa até agora não conseguiu corresponder ao que parece estar escrito em seu estatuto. Usa alguns (nem tantos, já que volantes e laterais não apoiam com tanta qualidade) jogadores técnicos, mas que parecem longe de seus melhores momentos (Van Persie, por exemplo).
Porém, estes mesmos jogadores conduziram a Holanda a uma das melhores campanhas da competição até agora. A atuação de Robben contra a Eslováquia (fora da condição física ideal) é algo a causar grande preocupação na defesa brasileira. Finaliza rapidamente e com rara precisão. É difícil contê-lo, por ter um excelente drible curto com a perna contrária ao marcador (é canhoto e joga na direita). Será alvo de algumas das faltas “nervosinhas” comuns na seleção de Dunga nesta competição, oferecendo aos holandeses um perigoso artifício de bola parada.
Robben terá com quem dialogar. Sneijder foi um dos melhores meias-armadores da temporada europeia. É perigoso em chutes de longa distância, cobranças de falta, e assim como Kaká, pode dar “aquele passe” que ninguém espera. Van Persie pode voltar a jogar bem. Embora não seja um grande goleador, por muitas vezes atuar até como ponta no Arsenal, Persie é técnico e ágil o suficiente para aproveitar uma das “caneladas” que a defesa brasileira vem oferecendo na Copa do Mundo, e que muitos se recusam a perceber.
Pode parecer lugar-comum, mas a defesa da Holanda não é confiável. Tomou dois gols de pênalti até agora. Estes, poderiam ser evitados se os defensores não insistissem tanto em cometer falhas como indecisão na cobertura, “linha-burra” e falta de velocidade. É o ponto fraco de um time perigoso, e que ainda não atingiu todo o seu potencial.
Prognóstico: Tecnicamente as duas seleções se equivalem. No entanto, é difícil imaginar a seleção brasileira sendo eliminada por um time que talvez não tenha tantas razões para se sentir confiante. Tem sempre bons jogadores, mas que costumam limitar a participação de sua equipe ao “morrer” nos mata-matas. O Brasil sairá vencedor por “algo como 2x1” (um de Luis Fabiano e outro de Robinho) aproveitando-se de deslizes defensivos do adversário, e segurando a pressão de um time atordoado, por boa parte do jogo.
É apenas um “feeling”.
domingo, 27 de junho de 2010
Arbitragem e a "Edição de jogos"

Os erros de arbitragem não apenas mancham desnecessariamente o espetáculo, como desmerecem vitórias possivelmente incontestáveis das equipes triunfantes. Obscurecem falhas do time perdedor, e reduzem os méritos daqueles dignos de elogios.
Os sites acabam promovendo notícias como "Alemanha goleia os ingleses com erro de juiz e avança às quartas" e "Com gol ilegal, Argentina faz 3 a 1 e avança".
São formas claras de diminuir um placar alterado, de fato, pela atuação negativa do juiz.
O erro se torna o sujeito da manchete. O protagonista de uma cena roteirizada para os jogadores.
Neste contexto todos ficam parecendo idiotas. Os torcedores, que se sentem lesados pelo erro contra o seu time; os jogadores que comemoram um gol irregular como se tivessem celebrando uma absolvição equivocada de estupro; a FIFA, que insiste em recusar o auxílio de recursos eletrônicos; e os mediadores da partida, que podem ser responsabilizados por jogarem quatro anos de preparação no lixo, com um erro cometido em décimos de segundo.
Um fator constantemente ignorado nas críticas sobre erros de arbitragem é o impacto emocional do lance em questão. Um gol mal anulado pode gerar sentimentos de revolta, injustiça, fazendo o jogador ou o time acreditar que estão participando de uma partida que de alguma forma eles não devem saírem vencedores.
Quando mal validado, a defesa passa a acreditar que não há formas suficientes de garantir que sua equipe não seja vazada. Todo esforço foi em vão. Resta agora ir com tudo para o ataque, para literalmente correr atrás do prejuízo. Os efeitos deste gol, caso "bem validado " acabam ficando no terreno das hipóteses, ou reduzindo as análises ao simplismo do placar final (Ex: era pra ser 4 a 2 pra Alemanha, ou 2 a 1 pra Argentina).
É notório que juízes e bandeirinhas acabam tendo ciência dos seus erros ainda durante a partida. Pouco depois, ou no vestiário entre 1º e 2º tempo. Se recusam a voltar atrás de suas decisões temendo a revolta do time "beneficiado", que se sentiria "injustiçado" nestes casos, ou até a falta de amparo das comissões de arbitragem. Para isso, poderiam servir os telões ou monitores à beira do campo. Falhas nítidas poderiam ficar visíveis àqueles que compõem o espetáculo, cabendo a eles aceitar suas correções, caso eles tenham preocupação em parecerem pessoas dignas e com senso de esportividade.
Nada disso acontece, e cabe ao juiz tentar não cometer mais nenhum erro na partida ou evitar compensar o time prejudicado de forma parcelada. Porém, passa a inverter faltas, omitir cartões e tende a dar pênaltis discutíveis. Isto, quando ele não se perde completamente e acaba "amarelando" a equipe "enervada" pelo deslize da arbitragem.
Fahas de arbitragem também oferecem margens para aqueles que acreditam em "Teorias da Conspiração". Quando a favor de determinada equipe, são supervalorizadas e tentam macular a atuação do time vencedor. Caso contrário, fazem os parecer "chorões" e mal perdedores. Quem as analisa, tenta usá-los para construir uma realidade argumentativa que deveria ser imutável caso estes erros não ocorressem.
A FIFA se apóia nesta marginalização da parte injuriada, se recusando a adotar medidas que minimizem os erros no talvez maior espetáculo esportivo do planeta. Expõe os árbitros a condições solitárias de lesadores de pátrias e destruidores de sonhos. Deixa o cada vez mais crítico (e informado por dezenas de replays) público de futebol, com vontade de abandoná-lo.
Os sites acabam promovendo notícias como "Alemanha goleia os ingleses com erro de juiz e avança às quartas" e "Com gol ilegal, Argentina faz 3 a 1 e avança".
São formas claras de diminuir um placar alterado, de fato, pela atuação negativa do juiz.
O erro se torna o sujeito da manchete. O protagonista de uma cena roteirizada para os jogadores.
Neste contexto todos ficam parecendo idiotas. Os torcedores, que se sentem lesados pelo erro contra o seu time; os jogadores que comemoram um gol irregular como se tivessem celebrando uma absolvição equivocada de estupro; a FIFA, que insiste em recusar o auxílio de recursos eletrônicos; e os mediadores da partida, que podem ser responsabilizados por jogarem quatro anos de preparação no lixo, com um erro cometido em décimos de segundo.
Um fator constantemente ignorado nas críticas sobre erros de arbitragem é o impacto emocional do lance em questão. Um gol mal anulado pode gerar sentimentos de revolta, injustiça, fazendo o jogador ou o time acreditar que estão participando de uma partida que de alguma forma eles não devem saírem vencedores.
Quando mal validado, a defesa passa a acreditar que não há formas suficientes de garantir que sua equipe não seja vazada. Todo esforço foi em vão. Resta agora ir com tudo para o ataque, para literalmente correr atrás do prejuízo. Os efeitos deste gol, caso "bem validado " acabam ficando no terreno das hipóteses, ou reduzindo as análises ao simplismo do placar final (Ex: era pra ser 4 a 2 pra Alemanha, ou 2 a 1 pra Argentina).
É notório que juízes e bandeirinhas acabam tendo ciência dos seus erros ainda durante a partida. Pouco depois, ou no vestiário entre 1º e 2º tempo. Se recusam a voltar atrás de suas decisões temendo a revolta do time "beneficiado", que se sentiria "injustiçado" nestes casos, ou até a falta de amparo das comissões de arbitragem. Para isso, poderiam servir os telões ou monitores à beira do campo. Falhas nítidas poderiam ficar visíveis àqueles que compõem o espetáculo, cabendo a eles aceitar suas correções, caso eles tenham preocupação em parecerem pessoas dignas e com senso de esportividade.
Nada disso acontece, e cabe ao juiz tentar não cometer mais nenhum erro na partida ou evitar compensar o time prejudicado de forma parcelada. Porém, passa a inverter faltas, omitir cartões e tende a dar pênaltis discutíveis. Isto, quando ele não se perde completamente e acaba "amarelando" a equipe "enervada" pelo deslize da arbitragem.
Fahas de arbitragem também oferecem margens para aqueles que acreditam em "Teorias da Conspiração". Quando a favor de determinada equipe, são supervalorizadas e tentam macular a atuação do time vencedor. Caso contrário, fazem os parecer "chorões" e mal perdedores. Quem as analisa, tenta usá-los para construir uma realidade argumentativa que deveria ser imutável caso estes erros não ocorressem.
A FIFA se apóia nesta marginalização da parte injuriada, se recusando a adotar medidas que minimizem os erros no talvez maior espetáculo esportivo do planeta. Expõe os árbitros a condições solitárias de lesadores de pátrias e destruidores de sonhos. Deixa o cada vez mais crítico (e informado por dezenas de replays) público de futebol, com vontade de abandoná-lo.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
É melhor não prever nada (?)
Dos oito classificados até agora para as oitavas-de-final, apenas a Argentina apresenta condições mais visíveis de levantar a taça. No entanto, nada que não possa ser desmentido com o passar das próximas duas rodadas da segunda fase.
Pela configuração dos cruzamentos das oitavas, fatalmente um dos semifinalistas sairá das seleções presentes nos confrontos entre Uruguai x Coreia do Sul e Estados Unidos e Gana.
Destes quatro, sairá o adversário do Brasil, caso ele chegue à semifinal após ter passado em primeiro lugar de seu grupo. No entanto, adversários mais perigosos se escondem nos primeiros confrontos de mata-mata.
A seleção de Dunga tem grandes chances de até as quartas-de-final, se deparar com Espanha, e Holanda ou Itália. São os times mais perigosos "não-chamados Argentina" da Copa do Mundo.
A Espanha tem a melhor coletânea de talentos dentre todas as seleções. Seu único jogador de capacidade discutível é o lateral-esquerdo Capdevilla, que até agora não comprometeu. Tem no banco jogadores capazes de mudar um jogo, substituindo outros tantos com tal faculdade. Esbarra na falta de camisa, certa falta de força física, preciosismo na conclusão das jogadas e eventuais panes defensivas (como no gol da Suíça). Esta descrição pode sugerir se tratar de um time cheio de defeitos. Mas todos são, como vemos em cada jogo da Copa.
A Holanda atuou até agora como um "primo-pobre" dela mesma. Associada à filosofia de jogo ofensivo e insinuante, mostrou dificuldades para furar a defesa do Japão, feito realizado com a ajuda da Jabulani. No entanto, é consistente. E diferente de outras seleções, mesmo quando enfrentou dificuldades acabou vencendo (e sem sofrer gols). Dificilmente Arjen Robben entrará voando no time, mas caso eu seja desmentido, pode ser o suficiente para desequilibrar jogos normalmente vencidos com pequenas margens de gols. Até se contundir, se encontrava em seu melhor momento na carreira. Atuando na Liga Alemã, em que foi usada a Jabulani na disputa do segundo turno.
A Itália dificilmente apresentará aquele "crescimento milagroso", decantado com base em outras Copas. Porém, seus primeiros jogos podem ter passado uma impressão errada de sua (pequena) qualidade. Tendo alguns de seus tetracampeões em boas condições físicas (volta de Pirlo, Gattuso e Camoranesi desde o início), pode colocar em campo algo parecido com 2006. Não o suficiente para ser novamente campeã, mas para usar de sua tradição e um possível acerto defensivo, para conduzir um jogo difícil até uma disputa de pênaltis. Pênalti talvez não seja loteria, mas seu resultado pode ser tão importante e impresível quanto.
Das equipes classificadas até hoje, várias passaram de "cabeça baixa". E o cenário mais interessante que se apresenta é a grande possibilidade de um confronto entre Argentina e o vencedor de Inglaterra e Alemanha.
Teoricamente, a seleção de Maradona e Messi seria favorita nestes confrontos, mas longe de ser uma vitória cantada. A Argentina ainda não conseguiu se encobrir com uma "aura de invencibilidade". Até porque é dirigida por um cidadão que há pouco exerce a função de treinador de futebol. Mas considerando as atuações "filme de terror sem final feliz" que o English Team costuma apresentar nas últimas duas Copas, e as apresentações inconsistentes do jovem e inexperiente time alemão, os hermanos estão "bem na fita".
O mais interessante seria imaginar a força com que chegaria o time que sobrevivesse a todos estes duelos. Mesmo que seja o omitido México, teria que ser visto como uma energia natural rumo à conquista da Taça FIFA. Ainda mais, considerando que na semifinal enfrentaria seleções menos "cascudas" como: Portugal, Paraguai, Dinamarca/Japão, Suiça/Chile.
No entanto, dentro deste irresponsável cenário descrito (considerando que eu não esperei os resultados das rodadas restantes da primeira fase), qualquer previsão é perigosa.
Tanto, que posso ser ironicamente desmentido com o que venha acontecer nestes próximos dois dias de competição.
Pela configuração dos cruzamentos das oitavas, fatalmente um dos semifinalistas sairá das seleções presentes nos confrontos entre Uruguai x Coreia do Sul e Estados Unidos e Gana.
Destes quatro, sairá o adversário do Brasil, caso ele chegue à semifinal após ter passado em primeiro lugar de seu grupo. No entanto, adversários mais perigosos se escondem nos primeiros confrontos de mata-mata.
A seleção de Dunga tem grandes chances de até as quartas-de-final, se deparar com Espanha, e Holanda ou Itália. São os times mais perigosos "não-chamados Argentina" da Copa do Mundo.
A Espanha tem a melhor coletânea de talentos dentre todas as seleções. Seu único jogador de capacidade discutível é o lateral-esquerdo Capdevilla, que até agora não comprometeu. Tem no banco jogadores capazes de mudar um jogo, substituindo outros tantos com tal faculdade. Esbarra na falta de camisa, certa falta de força física, preciosismo na conclusão das jogadas e eventuais panes defensivas (como no gol da Suíça). Esta descrição pode sugerir se tratar de um time cheio de defeitos. Mas todos são, como vemos em cada jogo da Copa.
A Holanda atuou até agora como um "primo-pobre" dela mesma. Associada à filosofia de jogo ofensivo e insinuante, mostrou dificuldades para furar a defesa do Japão, feito realizado com a ajuda da Jabulani. No entanto, é consistente. E diferente de outras seleções, mesmo quando enfrentou dificuldades acabou vencendo (e sem sofrer gols). Dificilmente Arjen Robben entrará voando no time, mas caso eu seja desmentido, pode ser o suficiente para desequilibrar jogos normalmente vencidos com pequenas margens de gols. Até se contundir, se encontrava em seu melhor momento na carreira. Atuando na Liga Alemã, em que foi usada a Jabulani na disputa do segundo turno.
A Itália dificilmente apresentará aquele "crescimento milagroso", decantado com base em outras Copas. Porém, seus primeiros jogos podem ter passado uma impressão errada de sua (pequena) qualidade. Tendo alguns de seus tetracampeões em boas condições físicas (volta de Pirlo, Gattuso e Camoranesi desde o início), pode colocar em campo algo parecido com 2006. Não o suficiente para ser novamente campeã, mas para usar de sua tradição e um possível acerto defensivo, para conduzir um jogo difícil até uma disputa de pênaltis. Pênalti talvez não seja loteria, mas seu resultado pode ser tão importante e impresível quanto.
Das equipes classificadas até hoje, várias passaram de "cabeça baixa". E o cenário mais interessante que se apresenta é a grande possibilidade de um confronto entre Argentina e o vencedor de Inglaterra e Alemanha.
Teoricamente, a seleção de Maradona e Messi seria favorita nestes confrontos, mas longe de ser uma vitória cantada. A Argentina ainda não conseguiu se encobrir com uma "aura de invencibilidade". Até porque é dirigida por um cidadão que há pouco exerce a função de treinador de futebol. Mas considerando as atuações "filme de terror sem final feliz" que o English Team costuma apresentar nas últimas duas Copas, e as apresentações inconsistentes do jovem e inexperiente time alemão, os hermanos estão "bem na fita".
O mais interessante seria imaginar a força com que chegaria o time que sobrevivesse a todos estes duelos. Mesmo que seja o omitido México, teria que ser visto como uma energia natural rumo à conquista da Taça FIFA. Ainda mais, considerando que na semifinal enfrentaria seleções menos "cascudas" como: Portugal, Paraguai, Dinamarca/Japão, Suiça/Chile.
No entanto, dentro deste irresponsável cenário descrito (considerando que eu não esperei os resultados das rodadas restantes da primeira fase), qualquer previsão é perigosa.
Tanto, que posso ser ironicamente desmentido com o que venha acontecer nestes próximos dois dias de competição.
domingo, 20 de junho de 2010
A volta da(s) "mão(s) de Deus"

É prática do jornalismo esportivo dar mais destaque para um lance isolado, do que para a própria partida, seu resultado e seus (d) efeitos.
Lance este que originou o segundo gol do Brasil, em um jogo que provavelmente teria saído vencedor (foi superior boa parte do jogo, e possui mais recursos técnicos). Independente da(s) mão(s) de Deus.
Mas Deus quis presentear a até então criticada Copa do Mundo com o seu mais belo gol. Opinião expressada por aqueles que a acompanham, a narram e a comentam. Sejam eles da “ufanista” Rede Globo, ou da “vanguardista” ESPN Brasil. Sejam eles aqueles que assistiam em casa, orgulhosos do feito “fabuloso” que haviam presenciado.
Seria uma vingança contra a “mão de Satanás”, que ajudou Thierry Henry a construir a jogada do gol de Gallas que garantiu a vitória da França sobre a Irlanda em jogo válido pela repescagem das Eliminatórias Europeias. Como se caso este gol não acontecesse, fossem fatalmente os irlandeses, os classificados.
Satanás então com a ajuda das “energias negativas” dos "paladinos da justiça" que compõem a população mundial, castigou a seleção francesa com um precoce papelão, pouco visto antes na história das Copas.
O que dizer da “Mano de Dios”? Aquela que é mais debatida, destacada e celebrada do que o lance em que Maradona driblou “dezenas” de adversários ingleses antes de concluir o mais belo gol da história dos mundiais. Aquela que ajudou o atual treinador da seleção argentina a vir a ser aclamado como “Dios” (Deus!) Aquela que conseguiu despertar amor (pra quem se orgulha de como foi feito o gol) e ódio em todos que contemplam um suposto "espetáculo".
Os (d) efeitos que envolvem o gol marcado por Luís Fabiano hão de serem conhecidos. Tudo depende de como a história se encerra. Uma história em que o protagonista é a hipocrisia daqueles que procuram a beleza na ilicitude. E que usam o nome de Deus para adornar um mundo eticamente paralelo denominado futebol.
Um mundo que a Copa do “Mundo” faz parecer que é melhor do que o em que vivemos. Com exceção para aqueles que usaram as “mãos” (perguntem a eles de quem) para se enriquecerem em cima de economias desiguais como as de Brasil e Argentina.
Lance este que originou o segundo gol do Brasil, em um jogo que provavelmente teria saído vencedor (foi superior boa parte do jogo, e possui mais recursos técnicos). Independente da(s) mão(s) de Deus.
Mas Deus quis presentear a até então criticada Copa do Mundo com o seu mais belo gol. Opinião expressada por aqueles que a acompanham, a narram e a comentam. Sejam eles da “ufanista” Rede Globo, ou da “vanguardista” ESPN Brasil. Sejam eles aqueles que assistiam em casa, orgulhosos do feito “fabuloso” que haviam presenciado.
Seria uma vingança contra a “mão de Satanás”, que ajudou Thierry Henry a construir a jogada do gol de Gallas que garantiu a vitória da França sobre a Irlanda em jogo válido pela repescagem das Eliminatórias Europeias. Como se caso este gol não acontecesse, fossem fatalmente os irlandeses, os classificados.
Satanás então com a ajuda das “energias negativas” dos "paladinos da justiça" que compõem a população mundial, castigou a seleção francesa com um precoce papelão, pouco visto antes na história das Copas.
O que dizer da “Mano de Dios”? Aquela que é mais debatida, destacada e celebrada do que o lance em que Maradona driblou “dezenas” de adversários ingleses antes de concluir o mais belo gol da história dos mundiais. Aquela que ajudou o atual treinador da seleção argentina a vir a ser aclamado como “Dios” (Deus!) Aquela que conseguiu despertar amor (pra quem se orgulha de como foi feito o gol) e ódio em todos que contemplam um suposto "espetáculo".
Os (d) efeitos que envolvem o gol marcado por Luís Fabiano hão de serem conhecidos. Tudo depende de como a história se encerra. Uma história em que o protagonista é a hipocrisia daqueles que procuram a beleza na ilicitude. E que usam o nome de Deus para adornar um mundo eticamente paralelo denominado futebol.
Um mundo que a Copa do “Mundo” faz parecer que é melhor do que o em que vivemos. Com exceção para aqueles que usaram as “mãos” (perguntem a eles de quem) para se enriquecerem em cima de economias desiguais como as de Brasil e Argentina.
Ironias mirabolantes à parte, é de causar estranheza a reação expressada diante dos "toques" que auxiliaram Luis Fabiano a fazer seu gol. Não tem como desassociar esta passividade, com o que podemos ver nas eleições que se apresentam dentro de poucos meses. O público é o mesmo, e acredito que sua postura diante de uma situação irregular em que é favorecido, será a mesma.
O Brasil (o país) e Luis Fabiano não precisam da "mão de Deus" para gerar alegria em seu povo. São capazes de fazerem isso da maneira correta. Cabe aos brasileiros, aprenderem esta lição de alguma forma. Pelo visto, teremos que esperar mais quatro anos.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Por que a Copa tem tantos jogos ruins?
Muitos entendem jogos ruins por partidas com poucos gols (desde que o time vencedor não seja para o qual você estava torcendo). Nem sempre é assim, mas estes "muitos" compõem a maioria formadora de opinião.
Ao fim de cada dia de competição, a sensação ao assistir aos três jogos da Copa do Mundo é de uma tímida insatisfação.
Algumas "teorias" podem ajudar a explicar este "fenômeno".
Ao fim de cada dia de competição, a sensação ao assistir aos três jogos da Copa do Mundo é de uma tímida insatisfação.
Algumas "teorias" podem ajudar a explicar este "fenômeno".
- Raramente os times precisam vencer. Por incrível que pareça, é possível ser campeão mundial apenas com empates, desde que se tenha sucesso nas cobranças de pênaltis. Algumas equipes só incorporam a necessidade de vitória, quando esta é fundamental para as suas sobrevivências na competição (geralmente na última rodada). No entanto, como todo os confrontos são contra adversários diretos, os times preferem se acomodar em um resultado de igualdade, à evitarem uma derrota (que se for na primeira fase) obrigue o time a provavelmente ter que "vencer" um ou dois jogos. A estrutura de 2 qualificados por grupo favorece a "matemática de resultados" para os times que avançam de cada grupo. Até 1994, embora fosse mais fácil passar de fase com poucos pontos (inclusive a vitória valia apensa 2 pontos até a Copa de 90), os terceiros colocados de cada chave concorriam com os demais grupos do torneio, na disputa por quatro vagas nas oitavas-de-final. Não bastava se dar bem em duelos dentro do próprio grupo, tendo que garantir resultados que os credenciassem a passar de fase independente de outros tantos jogos.
- Seleções menores temem vexames. Boa parte dos times que disputam a Copa entram com objetivos pequenos (proporcionais aos seus incríveis tabús e resultados em anos anteriores) como: descolar um empate com uma grande seleção, vencer um simples jogo, marcar um ou dois gols, ou não sofrer nenhuma goleada. Estas equipes evitam se expor, jogando com 9 ou 10 jogadores "atrás da linha da bola", temendo placares desmoralizantes. Evitando-os já é o suficiente para agradar torcidas que trabalham com perspectivas pequenas. Com 32 seleções participantes, a presença de esquadrões menos qualificados é automática. O futebol evoluiu e se difunidiu em todo o mundo nas últimas décadas, mas não o suficiente para produzir muitos confontos entre duas equipes seguras e de boa técnica.
- Jogadores renomados decepcionam aos montes. Historicamente, os jogadores de frente que marcam gols e possuem habilidade acima da média são aqueles dotados de maior conceito. Nestes, são depositadas as expectativas de que se tenha uma Copa repleta de bons jogos. No entanto, inexplicavelmente grande parte deles fazem partidas bem abaixo da crítica. É comum que seleções cercadas pelas mais altas esperanças, voltem cedo para casa tendo como seu maior destaque, um jogador reserva ou seu goleiro que evitou um desastre maior. Por isso, muitos acabam com impressão de que jogadores como Lampard, Ribery, Rooney e David Villa sejam piores do que Petkovic, Jorge Henrique, Kléber "Gladiador" e Dagoberto. Recentemente, o mal desempenho de craques em Copas do Mundo é atribuído ao excesso de jogos na temporada europeia, que os deixam "acabados" para a disputa das sete partidas vindouras. A teoria é mais ou menos assim: "Quem é bom, joga muitas vezes porque é titular e disputa finais ao longo do ano. Os ruins, passam a temporada no banco de reservas ou sendo eliminados prematuramente, chegando na Copa cheios de energia."
- Os times começam a ser montados pela defesa. Provavelmente 80% das seleções que disputam a Copa do Mundo chegam inseguras de seu poderia ofensivo. Preferem se montar taticamente começando pela defesa, abrindo os braços para empates e poucas chances de gol dos dois lados. Os "inocentes" times africanos possuem técnicos europeus, que não são necessariamente defensivistas, mas são contratados com este intuito. Esta mentalidade é fortalecida pelos primeiros tópicos, que citam a não necessidade da busca pela vitória, e o temor por resultados vexaminosos.
- Jogos ruins existem em todo lugar. A Copa, como um suposto retrato do futebol praticado no mundo, não pode fugir a esta regra. Jogos ruins sempre existirão. A diferença é que nem todas as partidas são acompanhadas por dezenas de milhões de olhos em todo o planeta. Boa parte dos espectadores da Copa não possui uma "cultura de futebol". Não assistem a muitos jogos ao longo do ano, e não tem ideia de que partidas "desagradáveis" são comuns a qualquer campeonato.
Escrever mais do que isso seria muita presunção. Caberia em um livro.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Entre o preconceito e a demagogia
A cobertura de Copa do Mundo é marcada pela injeção de ufanismo em uma população anestesiada a sentimentos patrióticos em outros períodos do ano. Jogos da Seleção Brasileira transformam dias normais em feriados, e pessoas frias em alegrias incontidas. Os jornais têm suas capas e páginas estampadas pelas cores das seleções destacadas no dia. Pessoas indiferentes ao esporte chamado futebol, passam a debater e discutir os nomes estranhos e impronunciáveis dos atletas de uma das principais competições esportivas do planeta. Resta saber como a imprensa deve servir este cardápio.
Um fato interessante e recorrente nos períodos de Copa do Mundo é de como pessoas com interesse nulo ou restrito pelo futebol, se apegam ao torneio pelo período de um mês. Discussões sociológicas à parte, trata-se de um ingrediente para que a imprensa seja impulsionada a empregar o recurso da “simplificação”. Questões táticas, técnicas e estatísticas são substituídas por clichês futebolísticos e culturais envolvendo as seleções participantes. Os “palpites jornalísticos”, que caracterizam o que poderia ser considerado como atribuição de favoritismo, são contaminados pelo despreparo da imprensa “especializada” e uma necessidade de incluir um tempero demagógico em suas análises.
Emissoras de televisão como a Rede Globo, empregam comentaristas credenciados ainda pelos seus tempos de jogador. São ex-atletas, conhecedores de seu esporte, com boa ou razoável eloqüência, mas que destoam do “ideal jornalístico”. Mesmo que discorde que a função de comentarista deva ser exclusividade de jornalistas, existem limites que devem ser respeitados. Caberia a estes profissionais, se prepararem para uma análise adequada e menos simplista, desprovida de torcidas ou preconceitos que possam interessar indiretamente a Seleção Brasileira e seus torcedores. O jornalismo brasileiro, mesmo em momentos “festivos” como a Copa do Mundo, não precisa de um discurso que flutua entre o preconceito e a demagogia.
É notória uma evolução na cobertura jornalística de eventos esportivos pela imprensa brasileira. Os canais por assinatura aumentam gradualmente o número de profissionais enviados para o local da competição, evidenciando a busca por um trabalho qualificado. Estas emissoras apresentam elementos que poderiam servir como exemplo para as empresas de comunicação de maior alcance no Brasil. Seus profissionais têm maior afinidade com o principal ingrediente do mega-evento denominado Copa do Mundo, o futebol. Não com o esporte em si, mas com o que tende a ser praticado no evento a ser tratado. Para conseguir narrar uma história, é imprescindível conhecer os seus personagens.
As equipes jornalísticas da televisão aberta parecem apresentadas a 95% dos atletas atuantes justamente quando eles entram em campo pela primeira vez. Sendo assim, é comum ouvir um “pacote de clichês” como: “o futebol asiático é pura correria”, “os europeus só jogam na retranca” e “os africanos possuem um futebol inocente e irresponsável”. Quem assiste aos jogos tendo o mínimo de senso crítico e noção de futebol, acabam tendo a impressão de estarem vendo a partida errada. Não seria melhor se os critérios de montagem de equipes de narradores e comentaristas privilegiassem o conhecimento sobre o “produto” Copa do Mundo? Um produto que é fabricado muito antes de estar “exposto nas lojas”, ou seja, anterior ao período em que a competição é disputada.
Os cadernos de esporte dos principais jornais brasileiros recorrem predominantemente às agências de notícias quando o assunto é futebol internacional. Desta forma, os jornalistas são obrigados a escreverem sobre quatro anos (o tempo de preparação de uma seleção entre uma Copa e outra) baseados em informações obtidas dentro de dias ou semanas. Por isso, é comum que chavões sejam despejados em análises preliminares sobre os times participantes, infectando o público/leitor com conceitos equivocados. Logo, seria importante que as editorias se preparassem com um longo período de antecedência, para que a familiaridade com o assunto gerasse um conteúdo mais autêntico e próximo da realidade.
O jornalismo esportivo no país é condicionado a “acreditar” que seu público só tem interesse pelo próprio brasileiro. É comum que as partidas envolvendo clubes europeus tenham suas importâncias reduzidas à atuação de atletas aqui nascidos. Este tratamento acaba sendo uma forma de hierarquizar a informação, em que o destaque aos atletas nacionais distorce as suas importâncias no cenário do futebol mundial. São mecanismos menores que fortalecem a ideia de favoritismo da Seleção Brasileira, estatuto importante para os interesses comercias da empresas jornalísticas do país. No entanto, associar otimismo a um produto (a seleção) não é tarefa do jornalismo, que deve buscar sustentação em outros conceitos.
A mídia tem que se pautar pela credibilidade. Os fracassos da seleção nacional em anos a qual lhe foi atribuída altas chances de sucesso, podem ser vistos como a algo semelhante à divulgação de pesquisas eleitorais que não se confirmam. Muitas vezes o espectador não identifica que estas são elaboradas por institutos de pesquisa, cabendo à imprensa, apenas publicá-las. Para que estas “barrigas” não aconteçam, é fundamental que os telejornais brasileiros evitem matérias ufanistas que se parecem com propagandas de cervejas patrocinadoras da seleção, e que a imprensa escrita produza reportagens impassíveis de serem confundidas com folders promocionais da CBF.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Um favorito, um vexame e um bom jogo
Hoje não pude ver o jogo entre Holanda e Dinamarca, e não vou tentar enganar ninguém como se tivesse visto (se eu fosse pago eu dava um jeito de ver o VT, mas como a vida não é tão fácil assim...).
O que posso dizer é que considero a Holanda uma das sérias candidatas. Não por achar que tenha o melhor time (jogador por jogador), mas porque talvez tenha chegado o "momento".
Camarões conseguiu fugir à regra dos times africanos, que tem muitas chances e finalizam mal.
Criou pouquíssimas oportunidades, fato ajudado pela obscuridade de Samuel Eto'o no lado direito do campo. Pelo nível do adversário (Japão), e considerando que a Copa é disputada em continente africano, foi um verdadeiro vexame.
No entanto, o grupo ainda apresenta times parelhos, sendo cedo definir quem já está dentro ou fora da segunda fase (Obs: O Chile se classificou com 3 pontos em 98). Se Eto'o voltar ao centro do ataque e retomar seus tempos de Barcelona, pode empurrar sua seleção para uma campanha melhor.
Itália e Paraguai fizeram um bom jogo. Embora alguns se surpeendam com o empate da seleção italiana, especulava-se um cenário diferente (fortalecido pelo fato de o Paraguai ter aberto o placar).
O que se viu foi um time paraguaio com pouca posse de bola, má atuação de seus aclamadados atacantes e grande disposição. "Ventilava-se" uma possível primeira colocação no grupo, mas a atuação do Paraguai não é de impressionar seus adversários da chave.
Já a Azzurra encontrou dificuldades em criar jogadas no primeiro tempo, e só se encontrou em campo quando "soltou o jogo". Gilardino e Iaquinta formam uma dupla de ataque "sem cintura", e como várias outras seleções que já atuaram nesta Copa, deverá sofrer alguns ajustes.
Embora tenha atuado bem na segunda parte do jogo, a Itália dá sinais de que dificilmente repitirá 2006. A defesa não é tão segura (ainda mais com a possível saída de Buffon), Marchisio no meio pareceu improdutivo, e o ataque só funcionou quando Pepe se deslocou para a ponta-esquerda.
O que posso dizer é que considero a Holanda uma das sérias candidatas. Não por achar que tenha o melhor time (jogador por jogador), mas porque talvez tenha chegado o "momento".
Camarões conseguiu fugir à regra dos times africanos, que tem muitas chances e finalizam mal.
Criou pouquíssimas oportunidades, fato ajudado pela obscuridade de Samuel Eto'o no lado direito do campo. Pelo nível do adversário (Japão), e considerando que a Copa é disputada em continente africano, foi um verdadeiro vexame.
No entanto, o grupo ainda apresenta times parelhos, sendo cedo definir quem já está dentro ou fora da segunda fase (Obs: O Chile se classificou com 3 pontos em 98). Se Eto'o voltar ao centro do ataque e retomar seus tempos de Barcelona, pode empurrar sua seleção para uma campanha melhor.
Itália e Paraguai fizeram um bom jogo. Embora alguns se surpeendam com o empate da seleção italiana, especulava-se um cenário diferente (fortalecido pelo fato de o Paraguai ter aberto o placar).
O que se viu foi um time paraguaio com pouca posse de bola, má atuação de seus aclamadados atacantes e grande disposição. "Ventilava-se" uma possível primeira colocação no grupo, mas a atuação do Paraguai não é de impressionar seus adversários da chave.
Já a Azzurra encontrou dificuldades em criar jogadas no primeiro tempo, e só se encontrou em campo quando "soltou o jogo". Gilardino e Iaquinta formam uma dupla de ataque "sem cintura", e como várias outras seleções que já atuaram nesta Copa, deverá sofrer alguns ajustes.
Embora tenha atuado bem na segunda parte do jogo, a Itália dá sinais de que dificilmente repitirá 2006. A defesa não é tão segura (ainda mais com a possível saída de Buffon), Marchisio no meio pareceu improdutivo, e o ataque só funcionou quando Pepe se deslocou para a ponta-esquerda.
domingo, 13 de junho de 2010
Alemanha salva um dia perdido
É difícil comentar os dois primeiros jogos. Muitos nomes confusos e pouco futebol.
Pelo menos as vitórias de Eslovênia e Gana ajudaram a prever as prováveis seleções que avançarão para as oitavas-de-final.
Impressionante como Gana não lembra em nada o tradicional "futebol moleque" associado às participações das seleções africanas em Copas desde os anos 90. De africano mesmo, só a dificuldade em finalizar (Lembra? Sempre parecem chutar com o pé errado).
A Sérvia mais uma vez esqueceu de entrar em campo (lembrando a participação da ainda Sérvia & Montenegro em 2006). É um dos muitos times que passam a impressão de não se sentirem pertencentes à Copa do Mundo. Tem bons jogadores mas demonstra dificuldade em reproduzir atuações que a conduziram para o torneio. Seus principais atletas não se encontram no jogo e deixam a esperançosa torcida na mão.
Já a eterna Alemanha salvou o dia. No Brasil é uma seleção constantemente desrespeitada, e já cheguei a ouvir (em uma transmissão de jogo) do ex-jogador Élber (que atuou por anos na Alemanha) que tirando o Ballack todos os outros jogadores da seleção eram jogadores de segunda divisão do futebol brasileiro.
Nunca pensei assim, mas acreditava em um desempenho mais sofrido neste primeiro jogo.
A seleção alemã incorporou elementos ao seu jogo com jogadores naturalizados ou filhos de imigrantes. O Mesut Özil, descendente de turcos, demonstra uma habilidade rara, pouco vista até em outras áreas do planeta. A dupla de "poloneses", Klose e Podoslki, mostraram que 2006 não foi nenhuma aberração, e devem fazer seus golzinhos a cada partida do time alemão.
Foi o melhor jogo até aqui. Embora não tenha havido equilíbrio, pelo menos deu sinais que podemos escapar de uma Copa com média de 1 gol por jogo.
Pelo menos as vitórias de Eslovênia e Gana ajudaram a prever as prováveis seleções que avançarão para as oitavas-de-final.
Impressionante como Gana não lembra em nada o tradicional "futebol moleque" associado às participações das seleções africanas em Copas desde os anos 90. De africano mesmo, só a dificuldade em finalizar (Lembra? Sempre parecem chutar com o pé errado).
A Sérvia mais uma vez esqueceu de entrar em campo (lembrando a participação da ainda Sérvia & Montenegro em 2006). É um dos muitos times que passam a impressão de não se sentirem pertencentes à Copa do Mundo. Tem bons jogadores mas demonstra dificuldade em reproduzir atuações que a conduziram para o torneio. Seus principais atletas não se encontram no jogo e deixam a esperançosa torcida na mão.
Já a eterna Alemanha salvou o dia. No Brasil é uma seleção constantemente desrespeitada, e já cheguei a ouvir (em uma transmissão de jogo) do ex-jogador Élber (que atuou por anos na Alemanha) que tirando o Ballack todos os outros jogadores da seleção eram jogadores de segunda divisão do futebol brasileiro.
Nunca pensei assim, mas acreditava em um desempenho mais sofrido neste primeiro jogo.
A seleção alemã incorporou elementos ao seu jogo com jogadores naturalizados ou filhos de imigrantes. O Mesut Özil, descendente de turcos, demonstra uma habilidade rara, pouco vista até em outras áreas do planeta. A dupla de "poloneses", Klose e Podoslki, mostraram que 2006 não foi nenhuma aberração, e devem fazer seus golzinhos a cada partida do time alemão.
Foi o melhor jogo até aqui. Embora não tenha havido equilíbrio, pelo menos deu sinais que podemos escapar de uma Copa com média de 1 gol por jogo.
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