sábado, 10 de julho de 2010

A Copa ainda não morreu

Grande jogo hoje entre Uruguai e Alemanha.

Acho estranho quem prefira assistir a partidas entre seleções menos talentosas na primeira fase, a ver um duelo entre duas das melhores equipes do presente torneio, temendo uma suposta melancolia daqueles que têm a certeza de que não mais conquistarão o título.

Uma derrota alemã poderia "melar" o discurso que valorizava o que o trabalho de Joachim Löw trouxe de melhor para a Copa. A possibilidade de que um time mesmo desprovido da sua melhor geração de jogadores é capaz de agradar, encantar e alcançar um resultado que supere até suas próprias expectativas.

Embora muitos torcessem por uma vitória uruguaia, por um estranho pan-americanismo que parece existir só em momentos em que a seleção brasileira já se despediu do torneio, o triunfo alemão pode imprimir um recado mais interessante para os técnicos que aqui trabalham (em clubes, sem querer alfinetar o Dunga). Um suspiro de esquema tático mais insinuante, menos covarde e preso a um pragmatismo normalmente associado à escola alemã. Fez 3 ou mais gols na maioria dos jogos que disputou, e embora tenha sido engolida pela Espanha nas semifinais, sai da competição tendo do que se orgulhar.

Jogadores uruguaios como Diego Forlán presenteram a Copa com lances de pura técnica, que associada a sua garra e de seus companheiros, levaram o Uruguai a melhor campanha entre as equipes do Hemisfério Sul. No entanto, permanecem resquícios da mentalidade que vigora em competições interclubes sul-americanas. Muitos volantes, jogadores que "chegam-junto" e tentam intimidar, e pouca inteligência no meio-de-campo. Essa não foi necessariamente a cara do Uruguai nesta Copa, mas não é o momento apropriado para valorizar o brasão guerreiro, que muitas equipes (incluindo clubes, claro) tentam carregar.

É interressante observar que embora a Copa do Mundo não dite fatalmente as tendências do futebol mundial, ela é deturpada para que algumas de suas piores lições tenham efeito aqui no Brasil.

Por isso é sempre perigoso que nossos clubes aproveitem de distorções futebolísticas para impregnar pragas como "quatro volantes", que azedam os olhos de quem tenta acompanhá-los.

Aproveito este texto para alertar aqueles que tiveram a impressão de que esta foi uma competição violenta ou mau-arbitrada. Assista às próximas rodadas do brasileirão para vislumbrar verdadeiros seminários sobre o "cai-cai" a as chamadas "faltas táticas".

Uma das finalidades da Copa do Mundo deveria ser despertar e posteriormente sustentar o interesse pelo futebol. Nacionalmente falando não parece ser uma preocupação da FIFA.
E dificilmente da CBF, que estará mais preocupada em construir estádios e vender para o exterior os jogos da geração Shaktar Donetsk (depois eu explico) que vestirá a amarelinha nos próximos anos.

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